O vale mágico do sul de Santa Catarina: suas belezas e sua loucura!

Escondido entre a Praia da Pinheira e a Guarda do Embaú, duas das mais movimentadas praias do litoral sul catarinense, encontra-se um recanto que muitos conhecem de passagem, mas poucos já vivenciaram de perto a magia do lugar. Situado no município de Palhoça, Santa Catarina, o “Vale da Utopia” se tornou um ponto de encontro alternativo e hippie, tanto pelas características paradisíacas do lugar, quando pela facilidade de encontrar cogumelos alucinógenos espalhados pelos campos repletos de gado que transitam livremente em harmonia com os mochileiros que passam. O Vale da Utopia é conhecido pelas comunidades hippies como um importante ponto energético de “contato direto com o cosmos” na América Latina. A parte sul das terras pertence ao escritor e dramaturgo Wilson Galvão do Rio da Apa desde 1984. Mesmo antes de adquirir a área de 20 hectares, ele realizava encontros com amigos gaúchos. Nestas reuniões, além de arte e cultura, eles discutiam a formação de uma comunidade anarquista por ali mesmo. O desejo ficou na utopia, talvez por isso o apelido. As belezas naturais do Vale, além dos animais, incluem a mata atlântica, pequenos aquários de água doce e vista para algumas praias quase intocadas pelo homem, com pouca estrutura para turista, como a Praia do Maço e Praia da gaúcha pelada – Ainda não descobri a origem do nome, mas dá para imaginar!

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Para chegar no vale a tarefa não é tão simples. Sem nenhum tipo de acesso para carro, moto ou bicicleta, e caminho é por trilha. Não é uma trilha longa, dura em torno de 20 minutos, mas para os mochileiros de primeira viagem é importante perguntar ou estar acompanhado de alguém que conhece, pois não há placas de sinalização. Ao chegar no vale pela trilha da Pinheira a primeira visão é a Praia do Maço, uma prainha de 50 metros de extensão, com ondas fortes e uma bela vista do sul da Ilha de Florianópolis. Dali se pode ver a praia e o farol de Naufragados e Pântano do Sul, além de algumas ilhas.

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Praia do Maço

O lugar pode ser pouco movimentado durante o dia. Mesmo na mais alta temporada, você vai se deparar com alguns artesãos, mochileiros e uma área com várias pessoas acampadas, mas com tantas opções de trilhas e praias desertas em volta os “habitantes temporários” se espalham durante o dia. Uma única construção permanece com autorização para funcionar como um bar, que vende bebidas e comidas, mas não possui energia elétrica. A casinha é de madeira e o pessoal que atende parece muito em paz, pessoas completamente integradas com aquele ambiente. Durante o dia você pode tomar banho de mar, curtir a paisagem e o pôr do sol. Mas os trabalhos começam mesmo quando o sol se vai. Na alta temporada não há uma noite sequer sem as longas rodas de violão e fogueiras que duram até o amanhecer. É neste momento que você vê pessoas chegando de todos os lados, descendo a trilha com lanternas e instrumentos musicais, saindo dos seus acampamentos depois daquela janta coletiva. Em época de carnaval ou virada de ano, as rodas de violão se transformam em pequenos festivais, com direito a palco coberto – feito de bambu e lona, claro! – equipamentos plugados em um gerador que só pode chegar de barco. Músicos, poetas e malabaristas aparecem de todos os lados e a festa fica linda.

Para quem vai passar o dia e acaba querendo ficar à noite a dica é levar barraca e repelente. Mesmo que você esteja hospedado na Pinheira ou na Guarda, depois de umas cervejas, aquela cachacinha artesanal e “otras cositas más”, a trilha noturna de volta pode acabar virando uma aventura nível hard.

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Trilha Vale da Utopia
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O Bar da Praia do Maço
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O Bar da Praia do Maço

Outra história interessante é sobre o paranaense “Fumaça”. Eu já havia ouvido falar, mas o não conheci nas minhas idas para o Vale. Fumaça construiu uma cabana de 3 cômodos no Vale da Utopia. Só bebe água da fonte e sua casa foi construída aproveitando ao máximo a luz natural. Longe dos confortos capitalistas, Fumaça adotou um vida integral. Só come alimentos da estação, cultiva frutas e hortaliças. Ele não usa sapatos e pede que as visitas também andem descalças na sua cabana. “Para mim, civilidade é o acesso a todo o recurso que o cidadão tem direito. Não quero uma vida em que a felicidade seja um produto que se compra”, diz Fumaça. Por levar este modo de vida, há anos Fumaça recebe visitas de amigos hippies e estudantes. Fui uma dessas visitas, a psicóloga Andresa que, há dois anos, encontrou no Vale o que precisava para ter uma vida plena. Hoje vivem juntos e têm uma filha chamada Hassam. A notícia do casamento se espalhou pela região e, após conselheiros tutelares tentarem levar a criança por diversas vezes, Fumaça e Andresa resistiram e tiveram suas vontades respeitadas.

Andresa, Fumaça e a filha Hassam
Fumaça. Andresa e a pequena Hassam

*Deixei abaixo uma mapa para entender a localização exata do Vale da Utopia (Praia do Maço):

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Pinheira, Vale da Utopia e Guarda do Embaú   

Se você conhece e já viveu algo intenso no Vale da Utopia, registre a sua experiência nos comentários abaixo!

André Marcelo

Notívago por natureza. Sagitariano apaixonado por viagens improvisadas que provocam o contato com a história e com a natureza. Amante da música, do teatro, do cinema. Das dezenas de coisas que já fiz, me amasiei com a produção cultural. Uma vida experimentando novas formas de expressão e relacionamento comigo mesmo e com o mundo.

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