O que sabemos?

*Por Vanessa Bordoni

Ultimamente vinha me sentindo incomodada com o fato de que sempre que eu pensava em escrever algo, recorria a questionamentos, incógnitas que clamavam pela interpretação do leitor. O que isso quer dizer? Será que eu escrevo sem saber bem o que pretendo transmitir? Ou talvez eu escreva para refletir e tentar entender meus próprios pensamentos? Existe a possibilidade de que as pessoas não gostem de ler o que escrevo, mas, no fundo, sinto que preciso registrar essas palavras, como se a alguém elas possam vir a beneficiar de alguma forma. Trata-se de uma necessidade que tenho de compartilhar com os demais tudo que me causa encantamento.

Pois bem, acontece que em um sábado à noite, ao assistir algumas videoaulas de Filosofia, fui arrebatada pelo que vislumbrei. Como um tufão de vento, fui preenchida pelo prazer de descobrir algo que eu não sabia que estava procurando, mas que fez tudo ter um sentido mais amplo. Já sentiu aquele estalo, que te dá a maravilhosa sensação da saciedade intelectual? Independente de qual for sua resposta, e de qual sejam suas expectativas com essa leitura, me dê o prazer de sua companhia até o final desta explanação.

Embora muitos possam pôr em roga o sentido da Filosofia, considerá-la de pouca utilidade, ou mesmo desconhecer completamente seus conceitos. Gostaria de destacar aqui, que a Filosofia tem sido desde os primórdios um instrumento que estabelece o pensamento e a reflexão, e dela derivaram no passado as demais ciências que conhecemos hoje, a matemática, a física, a química entre outras. Desta reflexão sobre o que somos e sobre o ambiente (sociedade), no qual estamos inseridos é que atingimos o conhecimento, sendo este último o que nos difere, enquanto seres humanos, dos outros animais.

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Por volta dos séculos VI a V a.C., existiu na Grécia um grupo de pensadores denominados Sofistas, que foram responsáveis por sistematizar e transmitir uma série de conhecimentos, alguns inclusive nós estudamos até hoje. Porém, o que houve de mais marcante no período Sofista, foi justamente o fato de que detiveram o poder da oratória. Existia pouca preocupação com a verdade, com os fatos em si, pois o grande objetivo era o convencimento através do discurso.

Analisando estas características do período Sofista, podemos perceber que suas influências perduram até os dias de hoje, com forte presença na política e na sociedade de uma forma geral. Ainda naquele tempo, o debate era algo valorizado, porém o mérito estava em o indivíduo ser capaz de convencer os outros de sua opinião. Justamente esta necessidade de imposição, da opinião individual sobre o coletivo, vejo como um dos grandes entraves ao desenvolvimento igualitário. Tantas dessas manifestações de ódio que vivenciamos na sociedade atual, poderiam ser evitadas caso tivéssemos a percepção de que as opiniões são totalmente mutáveis e individuais, não podendo por isso serem tidas como verdades, mas apenas como pontos de vista.

Para isso, cabe aqui citar Sócrates, que viveu de 470 – 399 a.C., e veio para discordar dos Sofistas e nos mostrar um outro caminho. Ele buscava a essência das coisas, das ideias, dos valores. Ele buscava os conceitos e não a mera opinião. Sendo o conhecimento algo estável, imutável e universal, podia-se concluir que uma opinião não se enquadraria como verdade. O que Sócrates fez foi ir para rua conversar com as pessoas, fazer perguntas óbvias, rebater as opiniões e convidá-las a refletir. Mas Sócrates se aproximava do povo justamente porque fazia este trabalho por amor, por ideal, ele reconhecia sua própria ignorância e não tinha nenhum objetivo além de fazer as pessoas pensarem. Acontece que, se as pessoas pensassem por si próprias elas passariam a questionar o sistema até então imposto pelos mecanismos da política e da ‘ordem’ social. O resultado é que Sócrates foi condenado à morte por perverter os jovens e renegar os deuses.

E, a partir desses conhecimentos, o que dizer sobre a educação? Você, assim como eu, está se perguntando por que não estudamos Filosofia na escola? Para quem é perigoso uma sociedade que pensa por si só? Será que estamos preparados para lidar com o que de fato representa liberdade?
O que eu posso afirmar agora é que acalmei meu coração em relação as minhas incógnitas, passei a ter um carinho especial por elas. Penso que enquanto eu tiver dúvidas, terei a motivação necessária para continuar aprendendo e desvendando o mundo. Enquanto eu tiver dúvidas me sentirei maravilhosamente, viva!
Sendo assim, não pretendo encerrar este texto por aqui. Acho mais interessante a continuidade que nos propõe as reticências.
E você? Tem algo a dizer? Não está satisfeito com o que leu? Fique à vontade, puxe uma cadeira e vamos dialogar.

Vanessa Bordoni

Sou estudante de Relações Públicas na Unisinos, mãe e voluntária na área da educação. Tenho paixão por pessoas, literatura e fotografia.Sempre em busca de interações, pois acredito na comunicação como um agente de transformação.

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