Monalisas de mosaico invadem as ruas de Porto Alegre

A mais célebre criação de Leonardo da Vinci ganha as ruas de Porto Alegre, somando pelo menos uma centena de versões exóticas. Montados com fragmentos de azulejos, cerâmica, vidro e espelho, os mosaicos no tamanho de uma folha A3 abordam temas variados, dentre eles religião a música. As versões das Monalisas aparecem nas formas de gatinha, esqueleto, feminista e cangaceira. Também estão entre as diversas peças espalhadas pelos muros e paredes da cidade.

Monalisa-mosaico-ruas-de-porto-alegre

Quem assina o projeto é a artista plástica Silvia Marcon, que se formou no Instituto de Artes da UFRGS e fez especializações em mosaico em Milão e em Verona, na Itália. Mais do que surpreender quem transita por esses locais, ela quer passar um recado:

— Além de serem figuras femininas, o que é interessante nesse momento de empoderamento, as Monalisas representam justamente a diversidade.

Monalisa-mosaico-ruas-de-porto-alegre

Monalisas-ruas-de-porto-alegre-mosaico

Uma oficina em novembro de 2014 na Casa Duplan, onde trabalham grafiteiros e outros artistas envolvidos com arte urbana, foi o ponto de partida das Monalisas. Anteriormente, Silvia já havia participado de pequenas intervenções, como coraçõezinhos de lajota em calçadas da Cidade Baixa e bueiros. “Eu já tinha a veia da arte urbana, mas não tinha nada definido. Vi que queria fazer isso e comecei a pensar em figuras emblemáticas, chegando na Monalisa. É a obra de arte com mais releituras até hoje no mundo, trabalho em cima disso, com a releitura”, relata a artista. No próprio evento, um workshop chamado Paxart, nasceram as duas primeiras Monas.

Em menos de duas semanas, ela foi convidada a ministrar uma oficina no festival Mira, em Pelotas, para onde levou a ideia e instalou três obras, perto da Universidade Federal de Pelotas. De volta à capital, Silvia foi convidada para uma oficina no Vila Flores, sempre com as Monas, e instalou cinco delas no local. Quando já havia cerca de 30 Monalisas instaladas — atualmente, são 60 — uma artista de Buenos Aires veio ao Brasil e perguntou se poderia fazer uma “filial”, colocando obras semelhantes em sua cidade. “Eu vi bem como uma proposta de coletivo, por isso aceitei. E ela fundou um Mosaico Urbano Argentino, que já tem 20 Monalisas instaladas atualmente”, relatou Sílvia.

Mas a ideia não se restringe mais às ruas, quanto menos às ruas de Porto Alegre, Pelotas e Buenos Aires. Silvia hoje recebe encomendas, participa de exposições e já instalou “monas” no Rio de Janeiro, em São Paulo e Curitiba. “As cores e as roupas mudam, mas o sorriso não”. Ela conta ainda que há a possibilidade de o trabalho se expandir para Portugal, onde tem um aluno residindo.

Silvia viu a Monalisa original no Museu do Louvre, em Paris, há aproximadamente 25 anos, quando fazia um mochilão pela Europa. Lembra que na ocasião ficou até um pouco desapontada, porque imaginava a tela muito maior. Mesmo assim, escolheu o retrato da mulher de semblante sereno para as releituras pela capacidade que a obra tem de viralizar.

— Ela é conhecida em todos os lugares. Eu coloquei uma Mona na Favela Santa Marta, no Rio, e passaram umas crianças falando: olha a Monalisa! — lembra.

A Gioconda ainda dá à artista infinitas possibilidades na hora de criar: muda cor de pele, cabelo roupa – ou a deixa nua, mesmo. É permitido ainda colocar piercing, tatuagem e black power. Só não dá para mexer no sorriso, que tem nada menos do que cinco séculos de experiência em seduzir e intrigar.

Monalisa-mosaico-ruas-de-porto-alegre

Monalisa-mosaico-ruas-de-porto-alegre

Monalisa-mosaico-ruas-de-porto-alegre

Monalisa-mosaico-ruas-de-porto-alegre

Monalisa-mosaico-ruas-de-porto-alegre

Monalisa-mosaico-ruas-de-porto-alegre

Fontes: Sul21 e Zero Hora

Fotografias: Guilherme Santos/Sul21

André Marcelo

Notívago por natureza. Sagitariano apaixonado por viagens improvisadas que provocam o contato com a história e com a natureza. Amante da música, do teatro, do cinema. Das dezenas de coisas que já fiz, me amasiei com a produção cultural. Uma vida experimentando novas formas de expressão e relacionamento comigo mesmo e com o mundo.

facebook comments:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *