A lenda viva do Castelinho da Bronze em Porto Alegre




Toda a lenda urbana ao atravessar gerações, acumula uma série de nuances sensacionalistas, bizarras e às vezes até metafísicas. No centro histórico da cidade Porto Alegre existe um pitoresco castelo, de arquitetura medieval, que abriga uma história um tanto curiosa. Cada vez que é contada, traz uma versão diferente. Algumas falam em traição, mistérios de um relacionamento conturbado e até fantasmas que rondam o velho imóvel. Quem não conhece a história da moça que teve um castelo construído pelo amante apaixonado, para ser aprisionada durante anos?

O que poucos sabem, é que a história de fato aconteceu, que a “moça” ainda está viva para contar e que não existem tantos mistérios assim, como o imaginário conta. No final da década de 40, um político renomado chamado Carlos Eurico Gomes, se apaixonou por uma jovem de 18 anos, Nilza Linck.  Tendo esta paixão retribuída, o homem, já com seus 40 anos de idade, largou o casamento com a então esposa Ruth Caldas (irmã do fundador do então principal jornal de Porto Alegre) e construiu um castelo em estilo gótico para morar com a moça. Segundo conta Nilza, ele era um homem apaixonado pela arquitetura medieval e, para construir o castelo, dedicou muito tempo para definir, desde as fundações até os detalhes da edificação, construída toda em pedra.

Castelinho-do-alto-bronze
Castelinho do alto bronze nos dias atuais

Carlos Eurico era extremamente ciumento e não permitia que a jovem Nilza saísse de casa. A jovem era proibida até de olhar pela janela, para não correr o risco de ser atraída por olhares de outros homens. Nilza era praticamente uma prisioneira sem nenhum convívio social. Mesmo quando recebia visitas, Carlos não permitia que houvesse interação. Nestas ocasiões, a jovem ficava literalmente trancafiada nos seus aposentos.

Em 2009, mais de 50 anos depois, Nilza Linck retornou ao castelo para fazer uma visita e conceder entrevistas. Ela conta que, o fato de ser 22 anos mais nova que Carlos Eurico, foi um escândalo para a época. Além disso, era uma mulher com apenas 18 anos que, assim como ele, já havia rompido outro casamento. Um prato cheio para fofocas de uma sociedade antiga e extremamente conservadora.

Devido ao excesso de possessividade dele, o relacionamento não durou mais de 4 anos. Cansada de ficar trancafiada no castelo e de ser ameaçada, muitas vezes com violência, Nilza decidiu deixá-lo.

Carlos Eurico, por um tempo, ficou morando no castelo e constituiu uma nova família, mas alguns anos depois, resolveu vender o imóvel. Ainda na década de 50, o castelinho do alto da bronze foi uma boate bem conhecida no meio artístico de Porto Alegre, tenho sido frequentada, inclusive, pela cantora Maysa.

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Nilza Linck vive hoje com sua filha adotiva, seu neto e diversos cães e gatos. O castelo de algum tempo para cá, vem sendo utilizado como um espaço para artistas para realização de intervenções teatrais e saraus. O espaço hoje abriga um grupo de seis artistas, dedicados cada um a uma empreitada diferente. Do artesanato de caleidoscópios às histórias em quadrinhos, passando pela pintura, pela escultura, pela fotografia e pelo teatro.

A história de Nilza Linck está registrada no livro “A Prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze” (Artes & Ofícios, 1993), que o jornalista Juremir Machado da Silva escreveu a partir de depoimentos da própria prisioneira.

Abaixo, algumas fotos do castelinho do alto da bronze:
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O castelinho está localizado na esquina das ruas Fernando Machado e Vasco Alves
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Foto do interior do castelo, no terraço
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Exposição no interior do castelo

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Fontes: Wikipedia, Almanaque Cultural Brasileiro, Castelinho do Alto da Bronze blogspot, Globo.com

André Marcelo

Notívago por natureza. Sagitariano apaixonado por viagens improvisadas que provocam o contato com a história e com a natureza. Amante da música, do teatro, do cinema. Das dezenas de coisas que já fiz, me amasiei com a produção cultural. Uma vida experimentando novas formas de expressão e relacionamento comigo mesmo e com o mundo.

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