Flip – Começa em Paraty a maior festa literária do Brasil

Realizada desde de 2003 na bela e histórica Paraty, cidade turística do litoral sul do Rio de Janeiro, a Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip hoje na sua 15ª edição, homenageia o escritor Lima Barreto. Após diversas manifestações e críticas provenientes de movimentos negros e mulheres na última edição, este ano a Flip contará com, pelo menos 30% de autores negros como convidados. Em 2016, a organização do evento recebeu uma carta aberta intitulada “Arraial da branquitude” que apontou mais de 90% dos autores homenageados sendo brancos, e 72% homens na soma das edições anteriores do evento.

Segundo a curadora Joselia Aguiar, após listar autores do mundo todo, conseguiu, além de 30% autores negros, também inserir na programação muitas mulheres. Segundo ela, “A preocupação foi mapear a literatura que está fora dos radares, porque você acaba recebendo mais sugestões de autores homens, no sentido de que os editores publicam mais homens. Os homens historicamente escreveram mais, publicaram mais, foram mais premiados e ainda por cima viajam com mais prontidão”. Colocando no centro o escritor Lima Barreto, o evento literário agregará 22 mesas de discussão com 46 autores, entre eles, 24 mulheres.

Manifestação-contra-a-FLIP-Paraty
Manifestação 14ª Flip (2016)

Além do autor homenageado, a edição contará com a presença de nomes como o escritor Marlon James, primeiro jamaicano a vencer o Man Booker Prize, o principal prêmio da literatura britânica. Outro escritor negro presente será o americano Paul Beatty, que também venceu um dos mais reconhecidos prêmios da literatura internacional.

A 15ª edição do festival também se caracteriza por convidar inúmeros autores desconhecidos. Diferente dos anos anteriores, onde compareceram nomes conhecidos como Chico Buarque, Ariano Suassuna, João Ubaldo Ribeiro, Ferreira Gullar, Orhan Pamuk, Paul Auster, e vencedoras do Prêmio Nobel de Literatura como Svetlana Alexievich, Toni Morrison, dentre outros.

A Flip 2017 inicia quarta-feira, dia 26 de junho e encerra no domingo, dia 30.

O Homenageado

Lima-Barreto
Fotografia de Lima Barreto

Lima Barreto (1881-1922) foi um escritor negro conhecido principalmente pelo livro “Triste Fim de Policarpo Quaresma” e pelas críticas sociais e políticas ao Rio de Janeiro e ao Brasil. A maior parte de sua obra foi descoberta após sua morte por pesquisadores, levando-o a ser considerado um dos mais importantes escritores brasileiros. De acordo com a organização da Flip, “a edição resgatará a trajetória de um homem que estabeleceu-se como escritor no Rio de Janeiro, capital da Primeira República e da cultura literária do país. Em um meio marcado pela divisão de classes e pela influência das belas letras europeias, era difícil para um autor brasileiro com as suas origens afirmar seu valor”.




Programação da Flip

Quarta, 26/07

  • 19h15 | Auditório da Matriz | Mesa 1 – Sessão de abertura Lima Barreto: triste visionário. Felipe Hirsch, Lázaro Ramos, Lilia Schwarcz. O ator e escritor Lázaro Ramos dará voz ao autor em apresentação criada por Lilia Schwarcz, autora da recém-lançada biografia “Lima Barreto: Triste visionário” (Companhia das Letras). A direção de cena será de Felipe Hirsch.
  • 21h30 | Auditório da Praça | Show de abertura Suíte Policarpo. Inspirado no mundo de Policarpo Quaresma, o pianista, arranjador e compositor André Mehmari apresenta uma suíte inédita na abertura da Flip. No repertório, há ainda leituras de obras de Ernesto Nazareth, um dos gênios do período de Lima Barreto.

Quinta-Feira, 27/07

  • 10h00 | Auditório da Praça | Mesa Zé Kleber Aldeia. Álvaro Tukano, Ivanildes Kerexu Pereira, Laura Maria dos Santos. A convivência e a fruição do território que vêm de sabedorias ancestrais são os principais temas deste diálogo entre três pensadores líderes de suas comunidades – dois indígenas e uma quilombola – que têm cada vez mais ressonância em todo o país. Mediação: Claudia Antunes.
  • 12h00 | Auditório da Matriz | Mesa 2 – Arqueologia de um autor.  Beatriz Resende, Edimilson de Almeida Pereira, Felipe Botelho Corrêa. Entre a paixão e a minúcia, recupera-se a obra dispersa de um autor à margem e se define o lugar de Lima Barreto entre os clássicos e no cânone afro-brasileiro, nesta conversa que soma história e crítica literária. Mediação: Luciana Araujo Marques

  • 15h00 | Auditório da Matriz | Mesa 3 – Pontos de fuga + Fruto estranho. Carol RodriguesDjaimilia Almeida, Josely Vianna Baptista, Natalia Borges Polesso. Três premiadas vozes da novíssima literatura em língua portuguesa falam de suas influências, técnicas e experiências: como lidam com a tradição e a renovam, seus modelos e perspectivas. Fruto estranho: Josely Vianna Baptista. Mediação: Leonardo Tonus

  •  17h15 | Auditório da Matriz | Mesa 4 – Fuks & Fux.  Jacques Fux e Julián Fuks. A autoficção é um dos eixos deste diálogo, bem como as parcerias e rivalidades na história da literatura. Como pano de fundo, imigração, resistência, vanguarda francesa, matemática. Mediação: Ana Weiss.

  • 19h15 | Auditório da Matriz | Mesa 5 – Odi et amo + Fruto estranho. Frederico Lourenço, Grace Passô, Guilherme Gontijo Flores. A tradição greco-latina, seus mitos, poesias e narrativas, a Bíblia grega, a literatura e a cultura medieval: nesta conversa entre dois grandes tradutores do latim e do grego, tem-se uma breve história das ideias e dos sentimentos do Ocidente. Fruto estranho: Grace Passô. Mediação: Ángel Gurría-Quintana.

  • 21h30 | Auditório da Matriz | Mesa 6 – Em nome da mãe. Noemi Jaffe, Scholastique Mukasonga. Histórias de guerras e de sobrevivência, de invenções e reconstruções artísticas a partir do ponto de vista feminino, no encontro entre uma brasileira filha de uma sobrevivente de Auschwitz e de uma ruandesa tutsi que perdeu a família no genocídio e é influenciada pela literatura do holocausto. Mediação: Anabela Mota Ribeiro.

Sexta-Feira, 28/07

  • 10h00 Auditório da Praça | A pele que habito. Joana Gorjão Henriques, Lázaro Ramos. As identidades e as relações de cor nos países da lusofonia são o principal tema desta conversa, que parte da trajetória artística de um ator de sucesso no Brasil e uma jornalista portuguesa autora de premiado livro-documentário sobre o racismo em português.
  • 12h00 | Auditório da Matriz | Mesa 7 – Moderno antes dos modernistas. Antonio Arnoni Prado, Luciana Hidalgo. A singularidade da linguagem de Lima Barreto é evidenciada a partir de sua aversão ao bacharelesco e da visão da arte como militância, na sua escrita para jornal e nos diários do hospício. No debate, são lembrados autores que foram seus contemporâneos e autores posteriores que influenciou. Mediação: Rita Palmeira

  • 15h00 | Auditório da Matriz | Mesa 8 – Subúrbio + Fruto estranho. Beatriz Resende, Luiz Antonio Simas, Prisca Agustoni. Uma visita aos lugares por onde Lima Barreto passou no Rio de Janeiro, com seus personagens em romances e contos, seguindo a linha do trem e seus arrabaldes de ontem e hoje: a etnografia e a poética das ruas, a partir do olhar de uma especialista em sua obra e em literatura contemporânea e de um historiador que entende de samba e das ruas. Fruto Estranho: Prisca Agustoni. Mediação: Guilherme Freitas.

  • 17h15 | Auditório da Matriz | Mesa 9 – Na contracorrente. Pilar del Río. A resistência feminina e os projetos realizados em campos periféricos da cultura e da ciência: neste encontro-depoimento, tem-se a trajetória de uma espanhola presidenta de uma instituição que tem como bandeiras a literatura em língua portuguesa, os direitos humanos e o meio-ambiente. Mediação: Alexandre Vidal Porto.

  • 19h15 | Auditório da Matriz | Mesa 10 – A contrapelo + Fruto estranho. Carlos Nader, Diamela Eltit, Ricardo Aleix. Uma escritora experimental chilena referência na crítica feminista e um refinado documentarista brasileiro, que contou a trajetória do poeta Waly Salomão e do pintor Leonilson, conversam sobre linguagens na fronteira e resistência artística. Fruto estranho: Ricardo Aleixo. Mediação: João Bandeira.

  • 21h30 | Auditório da Matriz | Mesa 11 – Por que escrevo. Deborah Levy, William Finnegan. Um jornalista que cobriu conflitos na África e que, nas horas vagas, praticava obsessivamente o surf e fez dessa experiência um premiado livro de memórias se encontra com uma escritora nascida na África do Sul do apartheid: uma conversa sobre as diferentes motivações de um escritor e a entrega ao ofício. Mediação: Angel Gurría-Quintana.

Sábado, 29/07

  • 10h00 | Auditório da Praça – Ler o mundo. Edimilson de Almeida Pereira, Prisca AgustoniDois poetas que também escrevem para crianças contam suas experiências de imaginar histórias infantis a partir de pontos de vista e aportes culturais os mais variados, do Brasil à Suíça.

  • 12h00 | Auditório da Matriz | Mesa 12 – Fora de série. Ana Miranda, João José Reis. Personagens singulares da história e da literatura brasileiras, como ex-escravos que triunfaram e mulheres revolucionárias no Brasil do século 19, permeiam este debate sobre vozes dissonantes e as técnicas de pesquisa e escrita que reúne uma romancista e um historiador da escravidão – a invenção da liberdade até chegar ao período do pós-abolição de Lima Barreto. Mediação: Lilia Schwarcz.

  • 15h00 | Auditório da Matriz | Mesa 13 – Kanguei no maiki – Peguei no microfone + Fruto estranho. Adelaide Ivánova, Luaty Beirão, Maria Valéria Rezende. O ativismo e a literatura — ao gosto de Lima Barreto —, a resistência e a liberdade: eis o pano de fundo da conversa entre um rapper que fez um diário da prisão em Angola quando foi preso com livros considerados subversivos e uma escritora que, entre indas e vindas ao exterior, se dedicou à educação popular no sertão durante a ditadura. Fruto estranho: Adelaide Ivánova. Mediação: Mariana Filgueiras.

  • 17h15 | Auditório da Matriz | Mesa 14 – Mar de histórias. Alberto Mussa Sjón. Borges é o ponto comum entre os dois autores, um da Islândia e outro do Rio, que conversam sobre contos de fada, mitologias, narrativas antigas e surrealismo. Mediação: Paula Scarpin.

  • 19h15 | Auditório da Matriz | Mesa 15 – Trótski e os trópicos + Fruto estranho. André Vallias, Leila Guerriero, Patrick Deville. Os limites da ficção e da não ficção, os protagonistas e os coadjuvantes, o local e o global são os temas desta conversa entre um escritor viajante francês e uma jornalista que, baseada na Argentina, escreve para toda a América Latina. Fruto estranho: André Vallias Mediação: Paulo Roberto Pires.

  • 21h30 | Auditório da Matriz | Mesa 16 – O grande romance americano. Marlon James, Paul Beatty. Dois autores de uma mesma editora independente venceram, em anos sucessivos, o mais prestigioso prêmio de língua inglesa, o Man Booker Prize (2015 e 2016). Esta conversa revelará em que medida renovam a tradição a partir do seus pontos de vista particulares, a de um americano negro e a de um jamaicano que migrou para os EUA, onde ambos lecionam escrita criativa. Mediação: Ángel Gurría-Quintana.

Domingo, 30/07

Festa-Literária-Internacional-de-Paraty-Flip
Fotografia da 5ª Flip em 2007
Cidade-de-Paraty-RJ
Cidade de Paraty vista do cais

Mais informações no site oficial do evento -> AQUI.

Fontes de pesquisa: Carta Capital, Globo.com, Jornal do Brasil, Wikipedia

André Marcelo

Notívago por natureza. Sagitariano apaixonado por viagens improvisadas que provocam o contato com a história e com a natureza. Amante da música, do teatro, do cinema. Das dezenas de coisas que já fiz, me amasiei com a produção cultural. Uma vida experimentando novas formas de expressão e relacionamento comigo mesmo e com o mundo.

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