Eu escolhi envelhecer junto dos meus melhores amigos!




Viver num contexto social onde cada vez mais as pessoas tendem a se isolar, se relacionando principalmente através de meios virtuais, com poucos contatos físicos, tem causado angústia em muita gente. Nunca tantas pessoas moraram sozinhas como nos tempos atuais, e este número só aumenta… A maioria de nós, quando pensamos no futuro e em como será universo das nossas relações na velhice, sentimos um forte medo da solidão, do isolamento e do abandono. Afinal, a vida só tem sentido quando estamos cercados pelos nossos afetos.

Mas nem todo mundo está deixando o tempo passar, sem pensar sobre o assunto. Há alguns anos, na Dinamarca, um grupo de amigos, pensando nisso, decidiu criar um sistema de moradia que valoriza a vida em comunidade. Praticando a política do compartilhamento, O Cohousing é uma espécie de vilarejo privado onde cada morador (casal ou família) possui sua casa individual, mas privilegia os espaços comuns para convívio, refeições, lazer e até produção de alimentos, em alguns casos. Cada comunidade estabelece as suas regras. Muitos prezam por lavanderias, refeitórios e bibliotecas comunitárias; alguns compartilham serviços e meios de transporte como carros e bicicletas, a fim de economizar recursos naturais e aproximar as pessoas.

Leia também: O que ninguém fala sobre viver em uma ecovila sustentável até visitar uma

Cohousing envelhecer-com-amigos
Cohousing: Casas para envelhecer com os amigos

O modelo sustentável de habitação foi aplicado em diversos países da Europa e logo se popularizou nos Estados Unidos. Nos dias de hoje, timidamente começam a surgir projetos de comunidades deste tipo aqui no Brasil. Um dos pioneiros nasceu em Piracicaba, interior de São Paulo. De autoria do arquiteto Rodrigo Munhoz, o projeto une sete famílias de diferentes idades unidos pelo desejo de levar uma vida mais sustentável. Dispostas a viver em comunidade, partilhando bens materiais como ferramentas e alimentos, elas se reúnem para elaborar juntos sobre como será a organização da comunidade, as casas e áreas coletivas futuras.

O projeto de moradia para pessoas da terceira idade da Vila ConViver é outro que abre espaço para importantes reflexões sobre os padrões de moradia e convivência que estão estabelecidos hoje nos centros urbanos. Segundo autor do projeto, o arquiteto e urbanista Evandro Ziggiatti, coordenador do curso de graduação em arquitetura e urbanismo da FEC/Unicamp, os atuais padrões de moradia deixam de lado importantes necessidades humanas e dão uma orientação, muitas vezes equivocada, ao modelo de convivência nas cidades.

“Na ideia deste projeto, o interessante é que isso tudo tem sido repensado, discutido. Então volta o debate: o que eu preciso de espaço para viver quando for velho? Aquela casa que eu comprei num padrão e que o arquiteto criou também num padrão será que é o que ainda me serve? Que tipo de padrão é esse? Que tipo de padrão e que lugar da cidade me interessa?”, aponta ele.

Na maioria das Cohousings, há duas reuniões semanais onde são tratadas as questões internas da comunidade. Este reúne os membros na cozinha coletiva para discutir pendências e conflitos, que em cada comunidade são tratados de seu jeito. Há as que preferem conversas francas que apelam para o bom senso. E há até as que organizam uma espécie de teatro, representando o conflito em questão, para fazer com que as partes tomem consciência e resolvam os seus impasses.

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Abaixo, diversos projetos de Cohousing espalhados pelo mundo:
Cohousing Londres-Inglaterra
Londres, Inglaterra
Cohousing Aarhus-Dinamarca
Aarhus, Dinamarca
Cohousing Sebastopol-EUA
Sebastopol, EUA
Cohousing Portland-EUA
Portland, EUA
Cohousing Lawrence-EUA
Lawrence, EUA
Cohousing Austin-Texas-EUA
Austin Texas, EUA

*Fontes: O Globo, Consumo Colaborativo, InfoMoney, El Clarín, Hypeness

André Marcelo

Notívago por natureza. Sagitariano apaixonado por viagens improvisadas que provocam o contato com a história e com a natureza. Amante da música, do teatro, do cinema. Das dezenas de coisas que já fiz, me amasiei com a produção cultural. Uma vida experimentando novas formas de expressão e relacionamento comigo mesmo e com o mundo.

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