A mãe da minha colega disse que eu não sou normal

*Por Vanessa Bordoni

Trata-se de um dia normal, você feliz e compenetrado em suas tarefas normais, talvez nada altere a normalidade deste dia. Mas então, sua filha chega da escola com a seguinte frase: – A mãe da minha colega disse que eu não sou normal, e, baque! Minutos de silêncio para refletir. O que dizer para proteger a autoestima de sua filha sem retribuir a mesma atitude de preconceito e rotulação? Plim! A frase brota: “Se todos somos diferentes, não existe normal”. Desafio vencido, a criança fica feliz e confiante de si mesma, e sem carregar rancor da coleguinha.

Mas será que está tudo resolvido mesmo? Tanto se fala em preconceito atualmente, que me assusta pensar que ainda existem adultos que educam, se é que cabe usar essa palavra, seus filhos para rotular, discriminar o que é diferente de si. Dói na alma saber que criancinhas ainda puras  estão sendo contaminadas com os recalques e preconceitos de alguns adultos. Tanto se clama pela paz mundial, mas não se sabe respeitar aquele que está ao seu lado, não se respeita a individualidade do ser humano, que é no meu ponto de vista, algo maravilhoso. Bela é esta nossa capacidade de sermos iguais, e ao mesmo tempo, diferentes. Iguais nos direitos, na existência e diferentes na essência, no modo ser.

Na definição do dicionário Aurélio, normal é algo usual, regular; conforme a norma; exemplar. Como as pessoas são todas diferentes, não vejo como podemos ser normal ou anormal. Qual a regularidade ou norma que define o ser humano? Seguir padrões estabelecidos por anos de conservadorismo, talvez resultado de um passado repressor, onde se confundia autoridade com autoritarismo, mina a maravilhosa capacidade que temos de inovar, de evoluir e de sermos melhores a cada dia. Ouso ainda levantar uma reflexão: se normal é sinônimo de convencional, e se para ser convencional é preciso já ter sido praticado e testado, então é possível concluir que o normal é o caminho mais fácil, sem riscos, com baixa probabilidade de erros e de rejeição. No entanto, para inovar e ser diferente, é preciso coragem e autoconfiança, é preciso correr riscos e muitas vezes se expor. Neste caso, os frutos a serem colhidos podem ser imensamente gratificantes.

Acima de todas essas definições, acredito que para ser feliz é preciso escolher o que te faz bem, independentemente da percepção alheia. E, quando cada um estiver em paz consigo mesmo, a diferença não será mais motivo de estranheza. Vivo a utopia, ou não, de que algum dia, todas as pessoas se respeitem, aprendam a ver beleza na diferença, valorizem mais as qualidades e menos os defeitos que todos temos. Talvez assim, possamos acreditar verdadeiramente na paz.

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Vanessa Bordoni

Sou estudante de Relações Públicas na Unisinos, mãe e voluntária na área da educação. Tenho paixão por pessoas, literatura e fotografia.Sempre em busca de interações, pois acredito na comunicação como um agente de transformação.

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